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sábado, 4 de outubro de 2025

Linguística e a Sociolinguística

A linguística moderna foi fundamentalmente moldada por Ferdinand de Saussure, que a estabeleceu como o estudo da língua enquanto sistema. Em sua teoria, ele propôs dicotomias essenciais, como a distinção entre langue, o sistema social e abstrato de regras compartilhado por uma comunidade, e parole, o uso individual e concreto da língua. Outro pilar de seu pensamento é o signo linguístico, composto por um significado (o conceito) e um significante (a imagem acústica), cuja relação é puramente convencional. Sua análise também diferencia as relações sintagmáticas (combinações de elementos na fala) e paradigmáticas (elementos que podem ser substituídos entre si).

Em uma perspectiva distinta, Noam Chomsky revolucionou o campo com sua teoria da gramática gerativa. Para ele, a faculdade da linguagem é inata ao ser humano, uma capacidade biológica fundamentada em uma "Gramática Universal", que consiste em uma estrutura subjacente comum a todas as línguas humanas. Chomsky diferencia competência, o conhecimento tácito que o falante tem das regras de sua língua, de desempenho, o uso efetivo da língua em situações reais, que pode ser afetado por diversos fatores.

A Sociolinguística, por sua vez, investiga a relação entre a língua e a sociedade. William Labov, fundador da sociolinguística variacionista, demonstrou que a variação linguística não é aleatória, mas sim sistemática e correlacionada a fatores sociais como classe, etnia e idade. Os diferentes usos da língua, como pronúncias ou escolhas lexicais, refletem a identidade e a estrutura social dos falantes.

Essa variação é frequentemente alvo de preconceito linguístico, que se manifesta como a discriminação ou o juízo de valor negativo contra falantes de variedades linguísticas não-padrão. Esse fenômeno está ligado a estereótipos sociais, nos quais dialetos e sotaques associados a grupos de menor prestígio são erroneamente considerados "inferiores" ou "incorretos", gerando exclusão e reforçando desigualdades sociais.


Referências

1. "The Saussurean Dichotomies." Scribd. Acessado em 4 de outubro de 2025.

2. Chomsky's Major Contributions To Linguistics. Literature Xpres. Acessado em 4 de outubro de 2025.

3. Labov, William. "William Labov | Oxford Research Encyclopedia of Linguistics." Oxford Research Encyclopedias. Acessado em 4 de outubro de 2025.

4. "European Structuralism: Saussure's Dichotomies." E-learning - univ-setif2. Acessado em 4 de outubro de 2025.

5. "Linguistics - Structuralism, Generative Grammar, Sociolinguistics." Britannica. Acessado em 4 de outubro de 2025.

6. "Linguistic prejudice - (Intro to Linguistics)." Fiveable. Acessado em 4 de outubro de 2025.


Escrito por Júlyus da Silva M. Cavalcanti 

Abreu e Lima, 04/10/2025

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

A Variante Brasileira do Português


A variedade brasileira da língua portuguesa não deve ser compreendida como uma unidade homogênea, mas sim como um conjunto multifacetado, resultante de fatores históricos, sociais e culturais que constituem a identidade nacional. Como assinala a teoria linguística, toda língua viva é marcada pela variação, e o português falado no Brasil exemplifica de modo claro essa condição. Tal diversidade manifesta-se em diferentes planos, desde a fonética e a fonologia até a sintaxe e o léxico, evidenciando a natureza dinâmica e em constante transformação da linguagem.

O processo histórico de formação do Brasil — envolvendo colonização, escravidão e imigração — desempenhou papel determinante na conformação do idioma. A interação com línguas indígenas, africanas e de imigrantes europeus imprimiu marcas duradouras no português brasileiro, sobretudo no campo lexical. Vocábulos como abacaxi, mandioca e samba exemplificam a contribuição desses grupos, revelando que a língua é resultado de uma complexa tessitura sociocultural.

Outro aspecto essencial é a variação regional. Diferentes áreas do país desenvolveram pronúncias, entonações e usos lexicais próprios, como o “s” chiado do Rio de Janeiro, o “r” retroflexo presente em regiões nordestinas ou a alternância de termos como marmita e quentinha. Essas distinções não representam desvios, mas sim expressões legítimas da adaptação linguística a contextos específicos.

A linguística contemporânea, ao reconhecer a primazia da oralidade, ressalta a fala como núcleo da linguagem. No Brasil, a oralidade exerce papel central, visto que a maioria da população recorre a ela em situações cotidianas, enquanto a escrita tende a conservar formas mais tradicionais.

Portanto, o português brasileiro se define pela diversidade, resultado de processos históricos e da vitalidade da oralidade. Reconhecer essa pluralidade é essencial para compreender a língua como fenômeno social e dinâmico, afastando a concepção de uma norma fixa e única.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS

·                      BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se manifesta. São Paulo: Edições Loyola, 1997.

·                      CALLOU, Dinah; LEITE, Yule. Iniciação à Fonética e à Fonologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.

·                      Brasil Escola: Variação Linguistica. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/variacoes-linguisticas.htm . Acesso em: 13/09/2025.

BAGNO, M. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Edições Loyola, 2007

Autor: Júlyus da Silva M. Cavalcanti, Graduando em Letras

Abreu e Lima, 18 de Setembro de 2025.

Rousseou e a Revolução na Educação


Jean-Jacques Rousseau, em sua obra Emílio, ou Da Educação, apresentou uma visão inovadora sobre o papel da educação, que continua relevante na Filosofia da Educação. Para ele, a educação é o meio pelo qual o ser humano pode desenvolver suas potencialidades naturais e preparar-se para viver em sociedade.

Rousseau parte da ideia de que o homem nasce bom, mas é corrompido pelo convívio social. Nesse sentido, a educação deve preservar essa bondade inata e possibilitar o florescimento da natureza individual. Ele afirma que aquilo que falta ao ser humano ao nascer é oferecido pela educação, que se torna, assim, um processo de humanização essencial.

A proposta Rousseauniana não busca impor modelos prontos, mas respeitar o ritmo e a natureza de cada aluno. Por isso, critica o ensino tradicional baseado em memorização e abstrações, defendendo o aprendizado pela prática, pela vivência e pela autonomia do educando. Para Rousseau, o conhecimento é construído ativamente, por meio da interação com o mundo, da resolução de problemas e da curiosidade.

Outro aspecto fundamental é o papel do educador: ele deve ser guia, e não um tirano. O professor acompanha o processo de crescimento sem sufocar a liberdade da criança, respeitando suas etapas de desenvolvimento. Rousseau também valorizou a infância como uma fase única e essencial na formação do indivíduo, algo pouco reconhecido em sua época.

Sua obra influenciou diversos pensadores, como John Dewey, que reforçou a ideia de que a educação não é apenas preparação para a vida, mas a própria vida. Também serviu de base para a Escola Nova e para correntes pedagógicas contemporâneas, como a pedagogia libertadora de Paulo Freire, que defendem práticas educativas mais significativas e emancipatórias.

Portanto, Rousseau contribuiu para transformar a forma de compreender a educação, propondo uma pedagogia centrada no aluno, que valoriza a liberdade, a experiência, a moralidade e o desenvolvimento natural de cada ser humano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS

DEWEY, John. Experience and Education. New York: Touchstone, 1938.

​FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

​ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou Da Educação. Tradução de Valério Niccolai. São Paulo: Martins Fontes, 1999.Acesso em 26/10/2023.

Júlyus da Silva M. Cavalcanti, Graduando em Letras.


Abreu e Lima, 18 de Setembro de 2025.